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O Telegram é seguro em 2026? Criptografia, polícia e hackers

Adrian Maverick · · 16 min de leitura

Atualizado em 16 de outubro de 2026

O Telegram se descreve como um aplicativo de mensagens "com foco em velocidade e segurança", e mais de um bilhão de pessoas o usam. Se ele é seguro depende do tipo de chat em que você está, e a maioria das pessoas nunca entra no tipo criptografado. Tudo o que vem a seguir sai do FAQ e da política de privacidade do próprio Telegram, de pesquisas de criptografia publicadas, de números de divulgação de dados até meados de 2026 e das correções de segurança que o Telegram lançou até setembro de 2026.

O Telegram é seguro?

O Telegram protege você de estranhos na sua rede, mas os chats comuns dele não têm criptografia de ponta a ponta. Mensagens, grupos e canais ficam guardados nos servidores do Telegram, e o Telegram tem as chaves. Só os Chats Secretos, iniciados manualmente com uma pessoa em um dispositivo, têm criptografia de ponta a ponta. Diante de uma ordem judicial válida, o Telegram pode revelar o seu endereço IP e o seu número de telefone.

Para conversas casuais e canais públicos, os principais riscos são golpes e roubo de conta, e algumas configurações reduzem os dois. No computador, atualize o Telegram Desktop para a versão 7.2.9 ou mais recente: duas falhas graves do Desktop foram corrigidas em 2026. Nada que você não queira que uma empresa ou um tribunal possa ler deve ficar em um chat comum do Telegram. O conteúdo de um Chat Secreto fica fora do alcance do Telegram, com limites sobre onde ele funciona.

O Telegram é criptografado? Tipo de chat por tipo de chat

"Criptografado" quer dizer duas coisas diferentes. A criptografia entre você e um servidor impede que alguém no Wi-Fi leia junto, mas o servidor consegue ler a mensagem. A criptografia de ponta a ponta significa que só as pessoas da conversa têm as chaves.

O FAQ do Telegram diz isso com todas as letras: "A criptografia cliente-servidor é usada em Chats na Nuvem (chats privados e em grupo), os Chats Secretos usam uma camada adicional de criptografia cliente-cliente."

O que você usa Criptografia de ponta a ponta? Guardado nos servidores do Telegram?
Chat comum entre duas pessoas (chat na nuvem) Não Sim
Grupos e supergrupos Não Sim
Canais Não Sim
Mensagens salvas Não Sim
Chat Secreto Sim Não, só nos dois dispositivos
Chamadas de voz, de vídeo e em grupo (até 200 participantes) Sim, segundo o FAQ do Telegram O conteúdo das chamadas não é guardado

Três limites dos Chats Secretos importam na prática:

  • Eles são manuais. No iPhone, você abre o perfil do contato, toca nos três pontinhos "..." e escolhe Iniciar Chat Secreto. Nada vira Chat Secreto sozinho.
  • Eles são só entre duas pessoas. Não existe Chat Secreto para grupos nem canais.
  • Eles ficam presos a um dispositivo. O Telegram diz que um Chat Secreto "estará disponível somente no dispositivo em que foi iniciado", e sair da conta o apaga. Os apps de celular e o Telegram para macOS têm o recurso. O Telegram Desktop, o app que a maioria das pessoas usa no Windows e no Linux, não tem: o pedido desse recurso está aberto no rastreador de problemas do projeto desde 2014.

O Telegram pode ler minhas mensagens?

Nos chats na nuvem, o Telegram tem capacidade técnica para isso, porque guarda as mensagens e tem as chaves. A política de privacidade (em inglês) descreve dois casos em que essa capacidade é usada: os moderadores "podem verificar mensagens que foram denunciadas a eles pelos destinatários", e o Telegram "também pode usar algoritmos automatizados para analisar mensagens em chats na nuvem para impedir spam e phishing". A mesma política diz que o conteúdo dos chats na nuvem não é usado para direcionar anúncios.

O Telegram defende esse modelo dizendo que os dados dos chats na nuvem ficam em data centers em várias jurisdições e que "as chaves de descriptografia relevantes são divididas em partes e nunca são mantidas no mesmo lugar que os dados que protegem", então seriam necessárias várias ordens judiciais de países diferentes para forçar o acesso. Isso eleva a barreira legal sem mudar quem tem as chaves.

Sobre os Chats Secretos, a política diz: "Não há como nós nem qualquer outra pessoa sem acesso direto ao seu dispositivo sabermos qual conteúdo está sendo enviado nessas mensagens."

O Telegram entrega seus dados à polícia ou a governos?

Sim, dados da conta. Foi a parte que mais mudou, e tem data.

Agosto de 2024. O fundador Pavel Durov foi preso no aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, e colocado sob investigação formal por atividades criminosas na plataforma e pela falta de cooperação do Telegram com as autoridades.

Setembro de 2024. O Telegram reescreveu a seção 8.3 da política de privacidade. Ela não mudou desde então; a atualização mais recente da política, em 21 de agosto de 2026, tratou de publicidade. A versão anterior cobria só suspeitos de terrorismo. A atual diz: "Se o Telegram receber uma ordem válida das autoridades judiciais competentes que confirme que você é suspeito em um caso envolvendo atividades criminosas que violam os Termos de Serviço do Telegram, faremos uma análise jurídica do pedido e poderemos revelar seu endereço IP e seu número de telefone às autoridades competentes."

Os números desde então. O Telegram só os publica pelo bot @transparency, um país por vez. Para os Estados Unidos, o BleepingComputer informou (em inglês) 14 pedidos atendidos, envolvendo 108 usuários, de janeiro a setembro de 2024, e 900 pedidos envolvendo 2.253 usuários no ano inteiro. Um arquivo colaborativo dos relatórios do bot (em inglês), atualizado pela última vez em 5 de outubro de 2026, mostra o seguinte para os EUA:

Período (Estados Unidos) Pedidos atendidos Usuários afetados
2024 900 2.253
2025 1.706 4.807
Janeiro a junho de 2026 701 2.061

No mundo todo, o 404 Media contou dados de 22.777 usuários entregues só nos três primeiros meses de 2025. O arquivo é montado por voluntários, então trate os totais por país como um piso.

O que não está nesses números. O FAQ do Telegram afirma: "Até hoje, divulgamos 0 bytes de mensagens de usuários para terceiros, incluindo governos." As divulgações acima são números de telefone e endereços IP, o que basta para identificar o titular de uma conta. A política do Telegram diz que ele pode guardar endereços IP, dados do dispositivo e o histórico de nomes de usuário por até 12 meses.

O caso francês em outubro de 2026. A investigação continua aberta. Durov recebeu permissão para sair da França em março de 2025, e os investigadores suspenderam totalmente a proibição de viagem (em inglês) em novembro de 2025. Em julho de 2026, ele foi interrogado pelos juízes de instrução pela quarta vez (em inglês), segundo a AFP. Os advogados dele dizem que não há provas para as acusações.

O protocolo de criptografia do Telegram é seguro?

O Telegram usa um protocolo próprio, o MTProto, enquanto a maioria dos apps usa TLS na conexão com o servidor. A versão atual é o MTProto 2.0, baseado em AES-256, SHA-256 e Diffie-Hellman de 2048 bits. Ele já foi estudado publicamente mais de uma vez:

  • 2015, Jakobsen e Orlandi. Mostraram que o MTProto original não atendia a uma definição padrão de segurança (IND-CCA). Eles não encontraram um jeito de recuperar mensagens, e o MTProto 2.0 depois substituiu o projeto que analisaram.
  • 2020, Miculan e Vitacolonna. Verificaram o MTProto 2.0 com a ferramenta ProVerif e provaram suas propriedades de autenticação, sigilo e sigilo futuro (forward secrecy), encontrando uma fraqueza teórica na etapa de troca de chaves.
  • 2022, Albrecht, Mareková, Paterson e Stepanovs. O estudo "Four Attacks and a Proof for Telegram" (em inglês), apresentado no IEEE Symposium on Security and Privacy, encontrou quatro fraquezas, incluindo uma que permitia a um atacante na rede reordenar mensagens. O Telegram as corrigiu em atualizações dos apps em meados de 2021. Os autores escreveram que "para a maioria dos usuários, o risco imediato é baixo" e provaram que o protocolo corrigido oferece um canal confidencial e com integridade protegida, com ressalvas sobre seus componentes pouco comuns.
  • 2026, Symbolic Software. Uma análise encomendada em 2025 e tornada pública em maio de 2026 (em inglês) concluiu que os apps para Android e computador enviam um identificador de dispositivo de longa duração, o auth_key_id, de uma forma que qualquer observador da rede consegue ler. Ele não expõe o conteúdo das mensagens, mas poderia permitir que um provedor de internet ou um observador de rede em nível de Estado seguisse um mesmo dispositivo entre redes e lugares. O Telegram disse à imprensa que o identificador muda regularmente e não revela nada sobre usuários ou mensagens. Os analistas contestam isso para as versões que testaram.

Ninguém publicou um jeito de descriptografar o tráfego do Telegram. A exposição maior é o modelo de armazenamento descrito acima.

É seguro baixar o Telegram?

Sim, pelas fontes oficiais: a App Store, o Google Play ou telegram.org/apps. Os apps do Telegram têm código aberto, e o Telegram oferece builds reproduzíveis (em inglês), para que qualquer pessoa confira se a versão da loja foi gerada a partir do código publicado. O Telegram X para Android também é um app oficial do Telegram.

O risco são as cópias que se parecem com o Telegram. Em setembro de 2023, a Kaspersky encontrou apps do Telegram com trojan no Google Play (em inglês) que copiavam as mensagens, os contatos e os arquivos dos usuários para os atacantes. O Google os removeu. Confira o nome do desenvolvedor antes de instalar e ignore versões "mais rápidas" ou "desbloqueadas" do Telegram em qualquer site.

O Telegram é seguro contra hackers e golpistas?

A maioria das pessoas que perde uma conta do Telegram é enganada, não hackeada.

Roubo de conta. O Telegram faz login com um código enviado por SMS ou dentro do app. Quem conseguir esse código, com phishing ou tomando o seu número de telefone, fica com os seus chats na nuvem. O FAQ do Telegram diz que os códigos de login chegam ao chat de serviço verificado "Telegram" e "nunca devem ser compartilhados com outras pessoas".

Falsificação de identidade e golpes de investimento. Contas falsas de suporte, administradores falsos em grupos de criptomoedas e ofertas de emprego que pagam por tarefas pequenas e depois pedem um depósito são comuns. Um desconhecido pode mandar mensagem se tiver o seu número, encontrar o seu nome de usuário ou estar em um grupo com você.

Arquivos maliciosos. O Telegram permite arquivos de até 2 GB, e os atacantes aproveitam isso. Em julho de 2024, a ESET documentou o "EvilVideo", um exploit que fazia um app malicioso para Android parecer um vídeo em um chat. O Telegram o corrigiu na versão 10.14.5.

Falhas do Telegram Desktop corrigidas em 2026. Duas se tornaram públicas em setembro e outubro de 2026. Uma permitia que um bot escondesse JavaScript em um chat, que rodava quando você abria uma exportação de chat em HTML no navegador e podia enviar a exportação inteira para um atacante; ela afetava as versões 4.15.1 a 6.9.3 e foi corrigida na 7.0.1 em julho de 2026, segundo o The Hacker News (em inglês). A outra permitia que um único clique em um link preparado, no navegador, tomasse uma conta do Telegram Desktop no Windows que não tivesse senha local, e dependia de configurações que deixam qualquer pessoa adicionar você a um grupo; ela foi corrigida na versão 7.2.9 em 17 de setembro de 2026, segundo o Cyber Security News (em inglês). Além disso, um malware para macOS relatado em julho de 2026 copia os arquivos de sessão do Telegram Desktop para entrar na conta em outro lugar sem código nem senha da Verificação em Duas Etapas, algo que uma senha local também bloqueia. Atualize o Desktop e defina uma senha local (passo 2 abaixo).

Fotos íntimas. Em um chat comum, uma foto fica guardada nos servidores do Telegram como qualquer outra mensagem, e quem recebe pode salvar ou encaminhar. Em um Chat Secreto, ela tem criptografia de ponta a ponta e pode se autodestruir, mas o próprio Telegram avisa que "não há uma maneira à prova de balas de detectar capturas de tela em determinados sistemas".

As pessoas podem ver meu número ou minha localização no Telegram?

O Telegram exige um número de telefone no cadastro. Por padrão, segundo o FAQ, "seu número é visível apenas para as pessoas que você adicionou como contatos na sua agenda telefônica". Uma configuração separada controla se alguém que já tem o seu número consegue encontrar a sua conta por ele, que é como desconhecidos ligam números a perfis. As duas estão no passo 3 abaixo. O seu nome de exibição, as fotos de perfil e o nome de usuário são sempre públicos.

O Telegram não mostra a sua localização a ninguém, a menos que você a compartilhe. Uma localização enviada em um chat fica guardada como qualquer outra mensagem desse chat, segundo a seção 3.5 da política de privacidade, e a localização em tempo real continua sendo atualizada para quem você escolheu até você interromper. O próprio Telegram vê o seu endereço IP, que aponta para uma região aproximada, e pode guardá-lo por até 12 meses.

Um teste de dois minutos que você mesmo pode fazer

  1. Abra Configurações > Dispositivos. Todos os celulares, computadores e navegadores conectados à sua conta aparecem na lista. Encerre qualquer sessão que você não reconheça.
  2. Entre no Telegram em um segundo dispositivo. Os seus chats comuns aparecem inteiros, porque estavam no servidor o tempo todo. Os Chats Secretos não aparecem, porque nunca estiveram lá.
  3. Abra o bot @transparency (o que aparece no link da seção 8.3 da política de privacidade do Telegram) para ver o relatório de divulgação do seu próprio país.

Como deixar o Telegram mais seguro: 8 configurações para mudar

Os nomes das opções seguem o FAQ e o blog do Telegram em português, em novembro de 2026. Eles variam um pouco entre plataformas.

  1. Ative a Verificação em Duas Etapas. Configurações > Privacidade e Segurança > Verificação em Duas Etapas. Isso acrescenta uma senha ao código de login, então um SMS roubado não basta. Adicione um e-mail de recuperação que você controla.
  2. Defina uma senha de bloqueio do app. Essa opção também fica em Configurações > Privacidade e Segurança. Ela tranca o próprio app em um celular compartilhado ou desbloqueado. No Telegram Desktop, ela também protege a sessão guardada no seu computador, que era o ponto fraco explorado pela falha do link no Windows e pelo roubo de sessão no macOS descritos acima. Aproveite e mantenha o app atualizado.
  3. Esconda o seu número. Configurações > Privacidade e Segurança > Número de Telefone. Defina que ninguém pode ver o seu número e que só os seus contatos podem encontrar você por ele.
  4. Use Chats Secretos para qualquer coisa sensível. Perfil do contato > "..." > Iniciar Chat Secreto. Compare a imagem da chave de criptografia com a outra pessoa e defina um tempo de autodestruição.
  5. Limite o que desconhecidos veem. Em Privacidade e Segurança, restrinja quem vê o seu "visto por último" e a sua foto de perfil, quem pode ligar para você e quem pode adicionar você a grupos.
  6. Defina um tempo padrão para apagar mensagens. Configurações > Privacidade e Segurança > Autoexcluir Mensagens. Os chats novos se apagam sozinhos depois do prazo que você escolher.
  7. Revise os Dispositivos todo mês. Configurações > Dispositivos. Você também pode adicionar uma chave de acesso em Configurações > Privacidade e Segurança > Chaves de Acesso, que o Telegram descreve como mais segura do que os códigos por SMS.
  8. Limpe os contatos sincronizados. Em Configurações > Privacidade e Segurança (no iOS, há mais uma etapa: Configurações de Dados), você pode parar a sincronização de contatos e escolher Apagar Contatos Sincronizados para apagar os que já foram enviados.

Nenhuma configuração tira um grupo ou canal dos servidores do Telegram. Escreva ali como se a mensagem pudesse ser lida depois.

A mesma pergunta vale para a sua caixa de entrada

Os chats na nuvem do Telegram se resumem a quem tem as chaves das mensagens guardadas, e o e-mail funciona do mesmo jeito. A maioria das caixas de entrada fica nos servidores do provedor em uma forma que o provedor consegue ler. O Secria Mail usa criptografia de acesso zero em todas as mensagens da sua caixa: suas chaves são criadas no seu dispositivo e só chegam aos nossos servidores criptografadas. Nosso guia sobre se o Signal é mais seguro que o e-mail (em inglês) mostra quais tarefas cabem em um mensageiro e quais cabem em uma caixa de entrada.

Perguntas frequentes

O Telegram tem criptografia de ponta a ponta por padrão?

Não. Os chats comuns, os grupos e os canais usam criptografia entre o seu dispositivo e os servidores do Telegram, e as mensagens ficam guardadas lá. Só os Chats Secretos têm criptografia de ponta a ponta, e você precisa iniciar cada um.

A polícia pode ler minhas mensagens do Telegram?

A política do Telegram permite revelar um endereço IP e um número de telefone diante de uma ordem judicial válida, e ele diz que nunca revelou conteúdo de mensagens. O Telegram não consegue ler o conteúdo dos Chats Secretos. Uma polícia que tenha o seu celular desbloqueado consegue ler o que estiver nele.

Os grupos do Telegram são criptografados?

São criptografados no trânsito e no armazenamento, com as chaves nas mãos do Telegram. Não têm criptografia de ponta a ponta, e não existe opção de Chat Secreto para grupos.

O Telegram X é seguro?

O Telegram X é um app oficial do Telegram para Android, listado em telegram.org/apps. Ele usa as mesmas contas, servidores e criptografia do app principal, então tudo nesta página vale para ele. Instale pelo Google Play ou pelo telegram.org, não por um site de terceiros.

O Telegram é seguro para conversar com desconhecidos?

Trate toda mensagem inesperada como não verificada. Esconda o seu número, nunca compartilhe um código de login, não abra arquivos que você não pediu e não mande dinheiro nem criptomoedas para alguém que você conheceu em um chat.

O Telegram é uma ferramenta de transmissão e de comunidade com um modo privado acoplado. Use esse modo quando importar, proteja a conta e dê à sua caixa de entrada o mesmo cuidado com o Secria Mail.

A Secria confere cada artigo com fontes primárias. Viu algo errado ou desatualizado? Escreva para hq@secria.me e nós corrigimos.